Desabafo de aeroporto

Estou escrevendo porque estou no aeroporto aos prantos e ninguém atendeu o telefone, e também porque eu sou a droga de um livro aberto mesmo quando tento fazer segredo. Pois bem.. por que eu estou chorando?

Então.. vocês sabem que passei as últimas duas semanas em um programa bem legal em Nova Iorque, certo? Pois é, o que vocês talvez não saibam é que, quando o Jon se mudou a gente estava meio brigado. Não teve despedida, não teve "vamos criar memórias", não teve nada. Teve eu mandando uma mensagem de texto, desejando tudo de bom. Inaceitável, né? Foi estresse demais e, quando eu vim pra NY e as coisas começaram a se acalmar, a gente começou a conversar melhor e tentar entender um ao outro. Decidimos, então, que o Jon viria pra cá neste fim de semana para a gente passar um tempinho juntos, antes de eu ir embora. Pois bem, ele veio. Passamos o fim de semana juntos. Foi lindo. Foi maravilhoso. E, agora, acabou.

Faz mais de uma hora que ele me deixou no aeroporto e eu ainda não consegui parar de chorar. Essa coisa de amar alguém em outro país, despedida e blá blá blá é incrivelmente poético - era o amor que eu sempre quis viver (só por causa do drama) - mas, olha, sentir isso na pele, quando você se dá conta de que é isso: acabou. Não sei quando (e se) vou ver essa pessoa que eu amo de novo, olha, eu não sei como as pessoas sobrevivem a isso.

A minha vida é esquisita. Às vezes, nada acontece, é tudo um tédio. Mas, quando algo acontece, acontece tudo ao mesmo tempo... é tão intenso, tão dramático, tão profundo, que eu não tenho certeza do que fazer pra me manter inteira. Eu passei duas semanas (que parecerem mais como um ano) com pessoas incríveis, que vão ficar pra sempre no meu coração. E, ontem, me despedi delas. Como assim, gente? Como assim a gente aprende a amar os outros pra, talvez, nunca mais ver? Essa é a pior parte de querer ser uma viajante: as pessoas que você deixa no caminho.

Eu juro que, enquanto despachava minhas malas e passava pela segurança, ainda estava pensando em um jeito de ficar - mais um diazinho que fosse. E eu sei que não dá. Tenho que voltar a Chicago, porque, lá, as despedidas continuam. Não tem jeito, não tem esquema, não tem barganha que mude o fato de que, na quarta, eu estou entrando em um avião, e esses seres maravilhosos que eu amo tanto, estão ficando aqui. Mas o que eu faço? O que eu faço, quando eu tenho todo um outro mundo me esperando do outro lado. O que eu faço, quando o meu coração também dói de saudade deles todos os dias? O que eu faço quando eu queria poder me dividir em duas e viver em dois mundos e nunca ter que dizer adeus?

Eu não sei como continuar inteira, como não desabar, depois de ver o Jon segurando o choro, dizendo que me ama e que vai sentir a minha falta. Como que eu entro nesse avião, que já está chamando pelo meu número, enquanto eu escrevo essas linhas? Como que alguém respira fundo e vai embora, sabendo que está deixando o amor do outro lado? Eu não sei, e eu queria demais que alguém tivesse atendido o telefone e me contado, porque estou congelada nessa cadeira, sem ter forças para decidir.

Tem que ter muita força para ser viajante, sabe? Mais força ainda, se você for como eu - que põe a vida, o coração, a alma em tudo o que faz, em todo lugar que vai. Tem que ter muita força para se atirar sem medo de ter o coração estilhaçado em mil pedaços, e ainda ter que recolher os caquinhos, colocar a mochila nas costas e entrar no avião.





RESUMÃO!!!



Oi, gente linda do meu coração!

Tudo bem?

Eu quero muuuito agradecer a todo mundo que teve paciência comigo nessas últimas semanas e não deixou de seguir o blog. Perdemos alguns likes, provavelmente por causa da falta de conteúdo, mas bola pra frente, né?!

As coisas estão começando a se acalmar, já que essa é a minha última semana como au pair. A maior parte das minhas coisas já estão embaladas e vão precisar só de alguns ajustes, quando eu voltar de Nova Iorque. As emoções estão à flor da pele. Eu me vejo dizendo coisas que eu normalmente não diria, ou agindo de forma estranha, simplesmente porque eu não estou tendo muito controle sobre as minhas emoções agora.

Não tenho feito muita coisa interessante nessas últimas semanas. Basicamente, tudo o que fiz foi trabalhar, sair pra comer alguma coisa, organizar as encomendas, sair pra comprar algo que esteja faltando... enfim. Tenho aproveitado o máximo que posso com as crianças. Eles sabem que eu vou embora, mas são mais maduros com relação a isso do que eu sou. A Mia, aquela amiga que me levou ao karaokê, me convidou para uma Girls Night na casa dela, no sábado passado. Foi muito legal! A Vania foi junto e a gente bebeu bem mais do que devia. Acabei dormindo lá e quase morrendo de alergias por causa da gatinha dela haha!

Passei o domingo em Chicago, com o Ray. Vocês não se lembram dele porque paramos de nos falar antes de eu começar com o blog. Depois nos reaproximamos. Somos dois apaixonados por comida, então decidimos ir almoçar em Chicago. Ele me levou em um restaurante mexicano chique (porque eu contei sobre como vou sentir falta de comida mexicana), e foi assim o almoço mais gostoso que eu já tive nesse país. Que delícia, meu deus!! Tudo foi uma delícia: a comida, os drinks, a brisa daquele dia, a mesa do lado de fora, ver as pessoas passearem com seus cachorrinhos, a companhia, as conversas. Depois fomos a um bar havaiano para tomar uns bons drinks. Foi delicioso também! Depois, hora de tomar um café expresso e um gelato. GENTE, MELHOR DIA DO MUNDO <3

Hoje, acordei mais ou menos. Feliz, porque o meu fim de semana foi ótimo, porque eu dormi 8 horas direto, porque tinha café e um abraço da Mae logo cedo. Mas é difícil absorver o fato de que esta é a última segunda-feira em que vou levantar pra cuidar das crianças. É a última semana e isso deixa o meu coração um pouquinho pesado.

A Eva volta do travel month dela nesta quarta feira, então minha noite é dela. Logo de manhã, na quinta, ela voa para Austria, de volta pra casa e para os planos dela. Que delícia saber que vou vê-la em breve. Na quinta, eu não trabalho. Vou dedicar meu dia a terminar de arrumar todas as malas, inclusive, as que vão para o Brasil. A noite, tenho a minha última Au Pair meeting, em um bar de karaokê - vai ser muuuuito legal! Na sexta, eu trabalho até as duas da tarde e depois acabou. Vou voo para Nova Iorque parte às 20h e aí são duas semanas de trabalho por um mundo melhor.

Vou falar melhor do Merit360 em um próximo post.

Fiquem bem, pessoal!

Beijo enorme <3

Se despedir é uma merda!



Sem meias palavras, aqui, gente. Sem tentar romantizar essa dor: se despedir é uma merda!

Se despedir da sua família e amigos, quando você parte para um intercâmbio, é a pior parte. Mas, cara. você sabe que vai vê-los de novo.  Se despedir no fim da noite, com um beijo na varanda, chega até a ser legal. Você vai ver aquela pessoa de novo. Mas, olha, se despedir de quem você não sabe se vai ter a sorte de ver outra vez, mano, essa dor é inexplicável.

Eu queria encontrar um jeito de escrever esse texto daquele jeito leve e gostoso de ler, que vocês tanto falam. Mas meu coração está pesado, cada pedacinho da minha alma está doendo. É uma dor que chega a ser física, que contrai as minhas articulações e me coloca no canto, em posição fetal. com os olhos ardendo, a cabeça latejando e todo o estoque de kleenex que a gente tinha no porão.

Não uma dor de perda, sabe? Aquela dor horrível de quando alguém morre. Aquela eu conheço e acho que não tem nada pior. Mas essa dor de agora me surpreendeu. A dor de saber que você simplesmente não vai ser mais parte da vida de pessoas que você aprendeu a amar com todo o seu coração.

Cada partezinha do meu corpo dói e não tem aspirina que resolva. É dizer adeus para o ex namorado, para as amigas que vão voltar cada uma para o seu canto do mundo, para a família que, apesar das diferenças, se tornou minha. Eu abraço as crianças nessa reta final como seu eu pudesse absorver um pouquinho delas e levar comigo. Porque saber que elas vão crescer sem mim, e que a minha vida vai continuar sem elas, simplesmente dói demais.

Faltam 8 dias para o fim do meu contrato com a família e partir para NY. Depois, volto pra cá por 3 dias e sigo para o Brasil. Eu nunca estive tão dividida na vida. Eu quero ir pra casa, mais do que qualquer coisa, mas eu queria poder levar cada pessoa importante aqui comigo. Queria não ter esse sentimento de que parte de mim está ficando pra trás. Queria ter a certeza de que vou me sentir em casa, quando voltar. Mas eu sei que não vou. Eu estou deixando tanto do meu coração aqui, que eu não sei se, algum dia, eu vou me sentir completa de novo.

Se despedir uma merda! É parte da vida, da experiência, do crescimento... e ninguém nunca disse que ia ser fácil. Mas ninguém me avisou que seria tão difícil.

Deixa ela ir: 8 motivos para apoiar os planos da sua filha ou namorada


Umas das coisas mais comuns de se ver nos grupos de intercâmbio dos quais eu faço parte são meninas perguntando o que fazer porque os pais, mães, familiares, namorados não apoiam os sonhos delas. Elas planejaram tanto, trabalharam tanto, mas, na hora de ter coragem e entrar no bendito avião, elas se sentem divididas. Elas sentem que estão fazendo a escolha errada, porque as pessoas que elas amam não estão nessa com elas. Minha resposta é, geralmente, a mesma: "vai assim mesmo".

Você, que é pai, mãe, namorado, namorada, podem ficar bravos comigo. Mas, antes de me mandarem cuidar da minha vida, me respondam como vocês se sentiriam se a sua filha não te apoiasse nos seus planos. Como você se sentiria, se sua namorada ameaçasse terminar porque você está indo atrás dos seus sonhos? Como você se sentiria, se você tivesse que correr atrás de tudo sozinho e partir contra a vontade daqueles que você ama? Ia ser tenso, né? Pois é assim que ela se sente, quando você, pai, mãe, namorado, namorada, se recusa a abraçar os sonhos dela, se recusa a entender, se recusa a ficar feliz por ela.

Minha mãe nunca gostou da ideia de me ver partir. Ela foi contra, tentou me convencer, fez chantagem emocional, passou por todos os estágios até se conformar de que eu estava decidida, e que eu viria com ou sem a ajuda dela. Daí ela passou a me ajudar em coisinhas pequenas, contra a própria vontade. E eu posso jurar que, naquele abraço de despedida no aeroporto, ela ainda tinha esperança de que eu desistisse. Minha mãe, no entanto, entendeu, mais tarde, os meus motivos, e os motivos pelos quais ela deveria ter me apoiado desde o início.



1- Porque não é tão perigoso quanto você pensa

Primeiro de tudo, você precisa confiar que a sua filha ou namorada é responsável e não vai se colocar em situações de perigo. Em segundo lugar, perigo existe em qualquer lugar. Se tiver que acontecer, vai acontecer em casa, na escola, na igreja, ou numa estação de trem. Eu, por exemplo, nunca passei por uma situação dessas nas minhas viagens, mas já fui assaltada e perseguida por dois homens no caminho de volta da faculdade. Qualquer passo que a gente dá fora de casa, hoje em dia, é um passo de coragem, porque o mundo está sim perigoso. Mas, se a gente sai para estudar e trabalhar todo dia, não tem porquê deixar a violência te impedir de ir viver seus sonhos.

2- Porque não te cabe questionar os sonhos dela

Felicidade é um conceito pessoal. Se, para você, realização é se formar, se casar, comprar uma casa e ter um bom emprego, ótimo. É por esse objetivo que você tem que trabalhar. Mas não cabe a você impor à sua filha ou namorada a sua própria definição de felicidade. A sua filha tem o direito de escolher o próprio caminho e fazer o que a faz feliz. Se você e sua namorada não compartilham um  ideal de futuro, não cabe a você fazê-la mudar de sonho. Você precisa encontrar alguém que sonhe junto com você.

3- Porque ela vai, com ou sem a sua ajuda

Se ela está decidida e certa de que viajar é que ela quer, ela vai. E você não vai conseguir impedi-la. É capaz dela chorar baixinho, a noite, por ter que fazer isso sozinha, sem a sua ajuda, sem a sua benção. É capaz dela repensar um milhão de vezes. É capaz dela não aproveitar a experiência completamente, mas ela vai. Ela vai porque é o sonho dela, porque é importante, porque ela precisa disso. E, se você não entende, paciência.

4- Porque, se ela não for por sua causa, ela vai se ressentir mais tarde

Agora, pode ser que ela abra mão dos sonhos dela por você. E, por algum tempo, você vai relaxar, achando que aquela fase "rebelde" ficou pra trás e ela não vai mais te perturbar com planos e sonhos. Não se engane, ela nunca vai esquecer. Ela pode até não atirar na sua cara as renúncias que ela fez por sua causa, mas ela vai sempre pensar nas coisas em que teria feito, se não fosse por você. E essa mágoa vai puxar o seu pé a noite, eventualmente.  "E se" são as palavras mais assustadoras que existem - elas têm o poder de te assombrar pelo resto da vida.

5- Porque ela vai amadurecer muito em pouco tempo

A minha mãe disse, uma vez, que ela levou uma menina ao aeroporto e vai buscar uma mulher. Eu me vi amadurecer, nesses quase dois anos, o que não amadureci em 21 anos. Em uma experiência como essa, você se vê obrigada a pesar as coisas, a tomar decisões e a viver com as consequências. Você se vira, por conta própria. Você cuida da suas próprias feridas e não tem a opção de não levantar da cama, de manhã. A vida que ela escolheu vai obrigá-la a crescer, e isso, por si só, já faz a experiência inteira valer a pena.

6- Porque o mundo lá fora está chamando por ela

Você pode não entender, mas a sua filha ou namorada pode ouvir um som que só quem sonha em viajar consegue escutar. É um chamado. Cada livro, fotografia, filme, cada aeroporto, estação ou rodoviária, cada pequena coisa que remete à aventura de sair de onde se está emite um som que só a gente pode captar. E é como se esse chamado falasse direto ao nosso coração. Essa sensação me confundiu por muito tempo. As vezes, era muito barulhento e me fazia odiar a vida que eu tinha. As vezes, era o silêncio que falava comigo: um vazio que eu não sabia explicar, uma saudade de algo que eu nunca tinha experimentado. Eu aprendi a interpretar esse som, no momento em que meu avião aterrissou em Nova Iorque. Eu soube, então, porque o som se acalmou. Aquela besta dentro de mim, finalmente, pôde relaxar - até eu começar a sonhar com o próximo destino, é claro. Se a sua filha ou namorada não atender a esse chamado, ela vai viver a vida inteira tendo que administrar esse sentimento confuso que acabei de descrever. E eu te garanto que lidar com essa besta é, além de cansativo, desgastante para nós que escutamos e também para quem nos ama. Serão anos de uma tristeza inexplicável e de um vazio que você não vai ter capacidade de preencher. Você pode não entender, porque esse não é o seu sonho, mas o mundo tem uma voz inconfundível e ele não para de chamar por nós.

7- Porque ela pode aprender outra língua

Eu acho que a melhor sensação que eu já tive na vida foi poder discutir política em inglês, com a mesma paixão e ferocidade que eu o faço em português. Poder se expressar profundamente em uma outra língua é o sentimento mais gratificante que um viajante pode experimentar. Aprender e dominar outra língua é benéfico de tantas formas, que não existe um único argumento contra. E, quanto mais idiomas você aprende, mais fácil fica aprender o próximo. É incrível! A sua filha ou namorada merece viver essa experiência.

8- Porque ela não te pertence

Esse é, talvez, o item mais importante da lista. Ela não te pertence. Ela não é sua propriedade. Não importa se ela é sua filha ou sua namorada, ela é livre para fazer as próprias escolhas e viver os próprios sonhos. Querer que ela abra mão da própria felicidade por sua causa é burrice e egoísmo. Ela pode até ceder, porque ela te ama e valoriza a sua opinião. Mas isso não muda o fato de que a sua influência na decisão dela de abrir mão dos próprios sonhos foi um ato egoísta, que te faz menos merecedor do amor dela. Sabe aquela cena final de filme, em que a menina está quase embarcando para a Europa e o cara corre contra o tempo para impedi-la de ir? Não sei de onde tiraram que aquilo é romântico. Quem ama não corta as nossas asas. Romântico é quem quer te ver voar.



Você acrescentaria alguma coisa à lista? Concorda? Discorda? Deixa nos comentários, que a gente conversa. 


O segredo de quem realiza os próprios sonhos

O meu mundo de fantasia nasceu nas manhãs de sábado, assistindo milhões de vezes os mesmos filmes. O universo da Disney e seus contos de fadas moldaram uma boa parte da pessoa que eu iria me tornar. Capitalismo à parte, a Disney me ensinou a sonhar e, mais importante, a acreditar que sonhos se realizam. Também fui bastante influenciada por uma tia muito presente na minha infância. Ela fez muito por nós e, ambiciosa que é, cultivou em mim a certeza de que eu merecia uma vida completa, de que eu podia realizar qualquer coisa, se me esforçasse. Ela nos levou a um aeroporto para ver os aviões decolarem, e prometeu que, um dia, seria eu naquele avião. Eu acreditei. Eu acreditei com força, com tudo o que eu tinha. E, por muito tempo, eu pensei que acreditar era suficiente.



Eu cresci para me tornar uma pessoa nas nuvens. Comecei inúmeras coisas que não terminei. Me empolgava com ideias e as abandonava no primeiro sinal de dificuldade. Ninguém mais se animava com meus planos - eles não iriam acontecer mesmo. Para mim, era infinitamente mais fácil viver da frustração de sonhos que eram grandes demais para mim do que fazer algo concreto para alcançá-los. Eu invejava baixinho quem estava lá fora, fazendo as coisas acontecerem, fazia meus planos, reclamava da dificuldade de ter nascido pobre e desistia dos planos. Culpava as circunstâncias. Nunca a minha preguiça.


Foi então que iminência do último ano da faculdade chegou e, com ela, a certeza: eu não estava pronta para começar um vida sem antes realizar meus sonhos. O desespero de me perceber adulta, tão cheia de vida e cheia de planos não realizados me tomou por alguns dias, até que a resposta veio da minha melhor amiga. Ela me mandou levantar da cadeira, parar de reclamar da vida e fazer as coisas acontecerem pra mim. Veja bem, Victória é também cheia de sonhos, mas ela cresceu munida de um realismo tremendo e sempre soube usar o senso-comum a seu favor. Eu não. Então eu vi Victória e Dedé construírem a casa deles, se casarem, pagarem as contas e, ao mesmo tempo, trabalharem duro para juntar dinheiro para um intercâmbio de um ano em Dublin. A Vic não ganhava muito mais que eu. Éramos ambas estagiárias, na época. E o intercâmbio que ela queria era infinitamente mais caro que o meu. Mesmo assim, desse jeito mágico com que ela leva a vida, ela estava lá, pertinho do objetivo dela. Pela primeira vez, não houve uma pontinha de inveja da minha parte. Tudo o que eu conseguia sentir era felicidade, admiração,e um desejo enorme de ser um pouquinho mais como ela. 

Uma foto publicada por Brena Lacerda ☔ (@lacerdabrena) em

Foi, então, que a jornada começou, de fato. Eu levantei da cadeira, fui até as minhas chefes e pedi que elas me chamassem, caso precisassem de freelancer. Eu passei a aceitar todos os trabalhos extras que surgiam. Entreguei flyers na rua, andei pela cidade fazendo cadastro de lojas, foi monitora dos brinquedos em festa de criança, fui assistente de um fotógrafo em um torneio leiteiro, abri mão dos meus finais de semana por três meses para cobrir jogos de futebol de bairros e fazer um caderno especial para um jornal que saía toda segunda. Eu fiz o que eu pude. Eu parei de gastar, eu abri mão de festas, rolês, restaurantes, roupa nova, viagens. Eu abri mão de muita coisa. E ouvi, muitas vezes, que eu só me importava com dinheiro. Quando, na verdade, aquilo era o foco que eu demorei tanto a encontrar. O resultado? Bem, o resultado é esse que vocês vêem todo dia, no blog. A Victória foi para a Irlanda e viajou por toda a Europa (e Marrocos).  Eu vim para os Estados Unidos, fiquei fluente em inglês, conheci vinte e tantos estados (e as Bahamas), fui em cada um dos lugares que sempre quis ir, construí memórias que vão durar pra sempre. 

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Essa experiência só tem sido tão completa porque eu trouxe comigo o segredo da realização dos sonhos. E foi assim também que acabei sendo selecionada para o Merit360. Foi assim que eu consegui arrecadar todo o dinheiro necessário. É assim que eu estou me preparando para a minha próxima aventura. Foi por ter descoberto esse segredo, por ter aprendido com a minha melhor amiga, que nada que eu me proponho a realizar tem dado errado, até agora. É assim que eu, menina do interior, que várias vezes ouvi que sonhava alto demais, tenho o mundo à minha frente e um milhão de possibilidades. Foi assim que eu descobri que o mundo nem é tão grande assim. Sonhos dão trabalho. Isso é um fato. Quanto mais cedo você aceitar que você vai ter que levantar e trabalhar duro, se quiser realizar algo, mais cedo você vai estar naquele avião, ou vai ter a sua empresa, ou qualquer que seja o seu objetivo. Sonhos dão trabalho, mas eles valem a pena. Eu garanto.

Uma foto publicada por Brena Lacerda ☔ (@lacerdabrena) em

Piquenique com as crianças e como a vida tem andado

Oi, gente! Tudo bem?

Aqui tá tudo certinho. Tô passando para dar uma atualizada em vocês sobre os acontecimentos haha

Essa última semana foi bastante agitada. Trabalhei muito, fiz extra cuidando dos filhos de vizinhos e passei o final de semana fazendo um bico em uma barraca de costelinhas, em um festival em Chicago. Não tenho medo de trabalho, gente! haha Foi tudo muito cansativo, mas eu estou, na verdade, grata por estar trabalhando tanto. Sonhos, geralmente, não são baratos. A minha próxima aventura não vai ser. Então, eu tô feliz por encontrar tanta oportunidade de ganhar uma grana, para, de pouquinho em pouquinho, construir essa próxima fase da minha vida. Vai dar certo e vai ser lindo!

Por falar em sonhos, a Brigit, minha chefe e host mom, tá indo essa semana realizar o dela: aprender português. Ela vai passar sete semanas em uma escola de línguas em Vermont, totalmente imersa na língua portuguesa brasileira. Vai ser uma experiência incrível! Nós vimos casos de gente que absorve tão bem o idioma, que volta pra casa esquecendo algumas palavras em inglês. Ela está muito feliz e, nos últimos meses, tem dedicado grande parte do tempo dela a estudar a nossa língua para estar preparada para a escola. Lá, ela vai ter aulas e vai viver só com gente que tá aprendendo português. Vai ter Festa Junina, Carnaval-fora-de-época e mais um monte de coisa. Ontem ela me contou que ela vai, provavelmente, assistir novelas haha, porque eles têm canais brasileiros lá. Olha que coisa maravilhosa! Eu queria poder fazer isso com alemão, mas eu não tenho a grana sou tão disciplinada e interessada quanto ela. Pelo menos, não agora.

Ontem, ela estava tentando arrumar as malas, mas as crianças estavam no caminho, sabe? Eu tenho a quinta-feira de folga, porque ela vai tirar o dia para passar cada minuto com as crianças, antes de ir, na sexta de manhã. Mas, para isso, ela precisava deixar tudo pronto ontem, e as crianças não queriam deixar. Eu, então, juntei meus três pimpolhos, fizemos sanduíches, cortamos umas frutas, colocamos tudo na cesta e fomos para um parque aqui perto para fazer um piquenique. Foi a coisa mais fofa e legal do mundo, gente! Eles comem muito bem, então sentaram lá, comeram até dizer "chega", foram brincar, voltaram, comeram mais, brincaram mais, e, rapidamente, quase quatro horas se passaram. (Só para vocês saberem: tem mais texto depois da chuva de fotos)


















Esses sorrisos fazem tudo valer a pena
Eles têm esse vagão de brinquedo, que a gente coloca as coisas dentro e sai puxando. A melhor brincadeira para eles era puxar o vagão até o alto do morrinho e deixar ele descer sozinho. Numa dessas, ele desceu na minha direção, e, é claro, que os três morreram de rir.

Nesse fim de semana, vamos comemorar o aniversário da Vania, em Chicago. Vamos sair pra jantar, tomar uns bons drinks, dormir por lá e, no domingo, vamos na Parada do Orgulho LGBTT <3 Vai ser muito legal! Vou tentar fazer várias fotos para vocês verem tudinho.

Fiquem bem, meus amores! Beijo grande <3


Casa longe de casa - Sinhá Elegant Cuisine

Ai, gente! Que fim de semana difícil, né?

Tanta coisa triste aconteceu, que me faltou coragem para contar para vocês sobre a noite incrível que eu tive na sexta. Bem, na quinta a noite, eu descobri que ia rolar um evento chamado Favela's night haha, em Chicago. Aí eu vi que era num restaurante brasileiro chamado Sinhá Elegant Cuisine. Eu já tinha ouvido demais o povo falar desse lugar, de como você se sente em casa, de como a comida era boa, mas eu nunca tinha tido a oportunidade de ir.

Você vai descobrir quem é esse moço, se ler o texto todo

Aí anunciei para os amiguinhos que eu queria ir. As meninas estavam trabalhando até tarde. O Jon foi um cuzão disse que não gostava de happy hour. Aí quase que eu não fui. Mas, quem me conhece, sabe que, quando quero fazer uma coisa, eu acabo fazendo, com ou sem companhia haha (vide Semana Estado de Jornalismo Ambiental). Então eu estava me arrumando para ir e a Anna, a nova au pair polonesa, perguntou se eu queria sair. Aí chamei ela para vir comigo, pegamos o trem e fomos.

Essa é a Anna

Gente, na moral! NA MORAL! Que coisa mais linda, tá? O restaurante é numa casa de tijolinhos, cheia de plantas e flores em todo lugar. Não tirei fotos dentro da casa, mas a decoração lá dentro é incrível! Mas, antes de falar da festa, deixa eu contar para vocês um pouquinho da história do lugar.

A Dona Jorgina e o sorriso que derreteu meu coração
A Dona Jorgina, essa linda, cresceu no Brasil, num orfanato. Se tornou assistente social e trabalhou por muitos anos nas áreas mais pobres do Rio. Ela veio para Chicago com uma bolsa de estudos e acabou ficando. Aqui, ela começou a cozinhar para festas de amigos e conhecidos. Não demorou muito para que ela ganhasse um nome na cidade, então ela começou a receber clientes para almoçar no porão dela (não se engane, é o porão mais charmoso que já vi), uma vez por semana. O negócio foi crescendo e agora ela serve as delícias brasileiras todos os dias (menos segundas e sábados). O esquema é o seguinte: você compra o seu "ticket" antecipado no site do restaurante, assim ela sabe quantas pessoas esperar. Ou você pode fazer a sua reserva por telefone. Como todo bom restaurante brasileiro, você se serve quantas vezes quiser, e senta à mesa com outros convidados. É um ambiente familiar incrível, com cheirinho de feijão recém-refogado e muito amor.

Dona Jorgina contando para os não-brasileiros a história das favelas

A noite de sexta foi muito legal! Todo mundo estava sentado no quintal, porque estava calor demais. A galera trouxe cerveja, porque Dona Jorgina não vende bebidas alcoólicas. Mas tinha água e chá gelado liberado. Nós pagamos $20 e tudo estava incluído. Entrar lá foi como entrar no Brasil de novo. As nossas plantas, o cheirinho, o calor humano, as conversas meio gritadas em vários sotaques do nosso país. Foi incrível! Quando chegamos, eles estavam tocando um sambinha tão gostoso que dava muita vontade de dançar, mas, ao longo da noite, vários outros estilos foram explorados.

Esse é o polonês que a Anna arrumou haha

A Anna logo conheceu um rapaz polonês que estava lá com um colega, e eu perdi a amiga pelo resto da noite hahah! Era aniversário de um rapaz brasileiro chamado Gustavo. Ele é estudante aqui e está sempre ajudando a Dona Jorgina. Nada mais justo que comemorar o aniversário lá, né? Ele recebeu a gente super bem, apresentou para o pessoal e fez questão de que nos sentíssemos incluídas na comemoração. Que delícia, gente! Como eu senti saudade dessa simpatia que o novo povo tem sobrando. Foi uma noite maravilhosa! Não faltou piada, conversas, risadas, e até batuque de caixinha de fósforo nós fizemos. Eu não me sentia em casa assim há bastante tempo.

Esse é o Gustavo, o aniversariante lindão de Uberlândia <3

Agora, guardei essa parte para o final, porque, MINHA DEUSA! Dá uma olhada nas comidas:
















Voltei pra casa com 10kg a mais, e muito muito mais feliz <3